JÚLIO JUNQUEIRA
(aluno do 2º D do HC) |
Longo Exílio é uma carta, escrita por Júlio Junqueira, aluno do 2º ano D, em 19/12/2006. Na ocasião, por motivo da mudança de trabalho de seus pais, ele veio morar em Natal-RN. Não há um destinatário específico, já que escreveu à solidão que, na época, andava de braços dados com a saudade.
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LONGO EXÍLIO
O sentimento mais doloroso que sinto é a saudade que me consome por dentro como o fogo que consome a árvore seca. O que antes expressava minha alegria, hoje, serve como máscara para poder esconder o que sinto. O tempo que valia ouro era sempre desejado. Hoje, nada mais é do que um grande obstáculo para minha tamanha espera. Espera longa como as estradas que percorri para chegar da terra onde vivi muito anos e sou saudoso.
Nesta atitude de espera, lembro de épocas em que conheci pessoas, nelas confiei e as amei, mas nenhuma delas pode ser a água que impede a árvore seca de ser queimada. Aqui, alguns souberam ser o combustível que faria o fogo consumir bem mais rápido. Aliás, são poucos os que podem ouvir meu grito e minha angústia; e os que ouvem nada fazem. Ter palavras de consolo é tão raro quanto encontrar pérolas no fundo do mar...
Estou me sentindo um peregrino num deserto inacabável que, cada vez mais, vê seus recursos se acabando e não tardará que suas forças também partam até que morra. Por certo tempo, achei que o eu de lá estava morto em algum lugar desse imenso deserto, entretanto com a presença da dor que a saudade me traz e das constantes tentativas de pedido de ajuda, vi que esse eu está vivo, só aquietou-se para viver por mais tempo na esperança de voltar para o seu próprio lar, vivo. Meu corpo está aqui, é verdade, no entanto minha mente, alma e coração ficaram lá, vagando junto às lágrimas que derramei no momento em que sai de minha terra para uma outra não escolhida por mim. Cá estou eu, longe do meu povo, um povo eleito por mim. E assim, até o dia do meu retorno, esse longo exílio seguirá, até que eu possa ver o fim da longa estrada pela qual hei de passar com passos gigantes e acelerados. Por enquanto, tento matar a ansiedade de voltar para casa suportando essa demora...
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